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Artigo Eventos 📅 21 de agosto de 2026

Inteligência Emocional na prática Empresarial com Tais Gaspar

A palestra do Sebrae, em parceria com a Casa do Empresário, abordou a inteligência emocional como competência essencial para a liderança e o crescimento sustentável. O encontro mostrou como autoliderança, consciência emocional, vulnerabilidade, delegação e confiança podem transformar a forma de liderar e contribuir para melhores resultados nos negócios.

Tempo de leitura: 7 min

Inteligência Emocional na prática Empresarial com Tais Gaspar

Inteligência Emocional Aplicada à Gestão Empresarial: antes de liderar uma equipe, é preciso liderar a si mesmo

Introdução

O Sebrae, em parceria com a Casa do Empresário, promoveu uma palestra sobre Inteligência Emocional Aplicada à Gestão Empresarial, reunindo empresários, líderes, gestores e profissionais interessados em compreender como o comportamento e as emoções influenciam diretamente a liderança e os resultados de uma empresa.

A palestra trouxe uma reflexão importante sobre o que realmente caracteriza um bom líder. Saber ouvir, comunicar, decidir, confiar na equipe, delegar, organizar e ter disciplina são competências fundamentais. No entanto, muitos empresários ainda carregam uma visão tradicional de liderança baseada em mandar, cobrar, vigiar e controlar.

A proposta do encontro foi justamente provocar uma mudança de perspectiva: antes de liderar outras pessoas, é preciso aprender a liderar a si mesmo.

O que realmente define um bom líder?

A palestra começou questionando antigos conceitos sobre liderança. O conhecido ditado “o olho do dono é que engorda o gado” foi colocado em discussão.

Para uma empresa crescer de forma sustentável, o empresário não pode precisar estar em todos os lugares e controlar todas as decisões. É necessário desenvolver pessoas, criar processos, delegar responsabilidades e construir relações de confiança.

A empresa precisa funcionar não apenas quando o dono está presente, mas também quando ele está ausente.

Essa mudança exige questionar crenças e comportamentos construídos ao longo da vida. Uma das reflexões propostas foi: isso está me aproximando ou me afastando dos meus objetivos? Está me fortalecendo ou me aprisionando?

O que realmente estamos construindo?

Outro ponto abordado foi a diferença entre metas de meio e metas de fim.

Dinheiro, patrimônio, casa, viagens e conforto são importantes, mas são meios para alcançar algo maior. As metas de fim estão relacionadas a liberdade, propósito, conexão, realização, impacto, relacionamentos e legado.

A reflexão central foi: no final, pelo que você quer ser lembrado?

Pelo patrimônio acumulado ou pela história e pelo impacto que construiu?

A pergunta amplia a visão sobre o sucesso empresarial e mostra que construir uma empresa também pode significar desenvolver pessoas, gerar oportunidades e deixar um legado.

Felicidade no presente, visão de futuro e significado

A palestra apresentou três dimensões que precisam coexistir em uma liderança de alta performance: felicidade no presente, visão de futuro e significado.

Viver apenas pensando no futuro pode gerar esgotamento. Por outro lado, não ter uma visão de futuro pode levar à estagnação.

O significado é justamente o que conecta essas duas dimensões. É aquilo que dá sentido ao que fazemos hoje e nos ajuda a compreender o futuro que queremos construir.

Autoliderança: antes de liderar os outros

Um dos conceitos centrais da palestra foi a autoliderança.

A ideia foi ilustrada pela conhecida orientação de segurança dos aviões: primeiro coloque a sua própria máscara de oxigênio para depois ajudar quem está ao lado.

Na liderança, a lógica é a mesma. Ninguém consegue liderar bem outras pessoas sem primeiro aprender a liderar a si mesmo.

Autoliderança significa conhecer os próprios valores, reconhecer padrões de comportamento, compreender como se reage diante das adversidades e desenvolver a capacidade de agir com intenção.

Esse processo foi resumido em três fundamentos:

Consciência → Regulação → Direção

Primeiro, é preciso perceber o que está acontecendo. Depois, regular a própria resposta. Por fim, ter clareza sobre onde se quer chegar e agir de maneira intencional.

Qual é o seu piloto automático?

Sob pressão, cada líder costuma apresentar determinados padrões de comportamento.

Alguns aceleram e atropelam as pessoas. Outros se calam para evitar conflitos. Há quem tente controlar tudo, assuma todas as responsabilidades sozinho, reclame antes de decidir, evite conversas difíceis ou exploda e depois se arrependa.

A proposta foi identificar qual desses padrões aparece com maior frequência e compreender quais consequências ele produz nos relacionamentos, no desenvolvimento da equipe e nos resultados profissionais.

Reconhecer o próprio padrão é o primeiro passo para conseguir transformá-lo.

Inteligência emocional não é deixar de sentir

Uma das frases mais marcantes da palestra foi:

“Inteligência emocional não é sensibilidade, é estratégia.”

Isso significa que inteligência emocional não é deixar de sentir ou controlar completamente as emoções. Emoções fazem parte da experiência humana.

A competência está em perceber o sentimento antes que ele automaticamente se transforme em reação.

Na prática, isso envolve identificar o gatilho, reconhecer e nomear a emoção, compreender o que ela provoca e escolher uma resposta mais adequada para cada situação.

Culpa, vergonha e responsabilidade

A palestra também diferenciou culpa de vergonha.

A culpa saudável reconhece: “eu fiz algo errado.” Isso permite assumir responsabilidade, corrigir, aprender e evoluir.

A vergonha transforma o erro em identidade: “eu sou errado.” Esse pensamento pode levar à paralisação, ao isolamento e ao comportamento defensivo.

No ambiente empresarial, reconhecer erros é mais produtivo do que tentar manter permanentemente uma imagem de infalibilidade. Um líder que admite que errou também cria espaço para que sua equipe aprenda com os próprios erros.

Vulnerabilidade também é coragem

Outro tema importante foi a vulnerabilidade.

Reconhecer que não sabe tudo, admitir que pode errar, aceitar que uma decisão pode não produzir o resultado esperado ou reconhecer que precisa de ajuda não são sinais de fraqueza.

São demonstrações de coragem.

Empreender envolve vulnerabilidade. Mesmo com planejamento, estratégias, estudos e organização, existem fatores que nenhum empresário consegue controlar completamente.

O medo da crítica e do fracasso pode impedir novas experiências. Entretanto, tentar eliminar completamente o risco também pode significar eliminar oportunidades.

As armaduras que impedem a evolução

Entre os comportamentos que podem bloquear o desenvolvimento da liderança, a palestra destacou o perfeccionismo.

Esperar que tudo esteja 100% pronto antes de começar pode impedir qualquer movimento. O aperfeiçoamento acontece durante a execução.

A trajetória da palestrante com vídeos e redes sociais foi utilizada como exemplo: os primeiros conteúdos não tinham a mesma qualidade dos atuais, mas foi justamente o fato de começar e continuar praticando que permitiu a evolução.

A lógica é simples: é impossível evoluir em algo que nunca se começa a fazer.

Outra armadura é o controle excessivo. Quando todas as decisões precisam passar pelo empresário, a empresa perde velocidade, a equipe perde autonomia e o próprio dono fica sobrecarregado.

Delegar, portanto, não significa perder o controle. Significa construir confiança e permitir que outras pessoas também assumam responsabilidades.

A maior ostentação de um empresário

Uma das frases mais marcantes da palestra foi:

“A maior ostentação de um empresário é sair uma tarde de quarta-feira sem que a empresa pare.”

A frase representa uma importante mudança de visão sobre gestão.

O verdadeiro sucesso não está em ser indispensável para todas as atividades, mas em construir uma empresa capaz de funcionar com eficiência mesmo quando o dono não está presente.

Para isso, são necessários processos, organização, comunicação, treinamento, confiança e delegação.

A mensagem que fica

A palestra mostrou que inteligência emocional aplicada à gestão empresarial é muito mais do que saber lidar com sentimentos. É desenvolver consciência sobre si mesmo para tomar decisões melhores, construir relações mais saudáveis e liderar de forma mais estratégica.

Liderar começa pela autoliderança. É preciso reconhecer os próprios gatilhos, compreender os padrões de comportamento, regular as reações, aceitar erros e vulnerabilidades e abandonar a necessidade de controlar tudo.

A iniciativa do Sebrae, em parceria com a Casa do Empresário, reforçou a importância de levar conhecimento e desenvolvimento aos empresários, contribuindo para uma gestão mais consciente, humana e preparada para os desafios do mercado.

No fim, fica uma reflexão: uma empresa só consegue crescer de verdade quando o seu líder também está disposto a crescer.

A palestra foi conduzida por @taisgaspara, que compartilhou conhecimentos e reflexões sobre inteligência emocional, liderança e gestão empresarial.

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