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Artigo Capacitação 📅 23 de maio de 2026

[Artigo-Resumo] NR1 e Riscos Psicossociais: o que aprendemos na palestra com a Dra. Natália Oliveira Lima

No dia 20 de maio, a Casa do Empresário recebeu a Dra. Natália Oliveira Lima, advogada trabalhista e Mestra em Direito pela UFBA, para uma palestra gratuita sobre as atualizações da NR1. A partir do que foi apresentado, reunimos aqui os principais aprendizados sobre riscos psicossociais, PGR e o que toda empresa precisa fazer agora.

Artigo Palestra

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Duração 8:40

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Introdução

Na noite de terça-feira, 20 de maio, a Casa do Empresário reuniu líderes, gestores e profissionais de RH para um dos eventos mais relevantes do calendário empresarial recente: uma palestra gratuita sobre as atualizações da NR1 e a obrigatoriedade de gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

A convidada foi a Dra. Natália Oliveira Lima — advogada trabalhista, Mestra em Direito pela UFBA, professora de Direito do Trabalho na UNEB e presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB/BA. Ela conduziu a noite com uma mistura rara de clareza técnica e linguagem acessível. Quem estava lá saiu com as anotações cheias — e com a certeza de que muita empresa ainda não sabe o que vem por aí.

O Que Mudou com a NR1?

A Norma Regulamentadora nº 1 passou por uma atualização significativa: a partir de 26 de maio de 2025, todas as organizações brasileiras estão obrigadas a identificar, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no trabalho — isso inclui sobrecarga de metas, assédio moral, liderança abusiva, falta de clareza de papéis e até o famoso grupo de WhatsApp que não para nunca.

A Dra. Natália foi direta ao ponto logo na abertura:

"A regra do jogo é que todas as organizações, agora, precisam comprovar a gestão sistemática de sobrecarga, acerto dos fatores organizacionais de estresse, integrando ao seu respectivo programa de gerenciamento de riscos."

E ela foi ainda mais clara sobre um equívoco muito comum no mercado:

"O PGR não é um documento. Ele é um programa. Ele vai exigir uma continuidade."

Mas Minha Empresa É Pequena. Isso Me Afeta?

Essa foi a pergunta que pairou no ar durante boa parte da noite. A resposta, segundo a palestrante, é: sim — com nuances.

Empresas de grau de risco 1 e 2 estão dispensadas do PGR em relação a riscos físicos, químicos e biológicos. Mas os riscos psicossociais têm uma natureza diferente — são dinâmicos, mutáveis, e a norma não prevê dispensa explícita para eles.

"Eu, empresária, não deixaria de fazer a minha avaliação de risco psicossocial, mesmo se eu for grau 1, grau 2. Porque o Ministério do Trabalho já disse que não vai bastar avaliar. Se eu não identificar nada, eu tenho que prevenir. E se eu tenho que prevenir, eu tenho que ter um documento que prova que estou prevenindo."

Os Três Pilares do Risco Psicossocial

A Dra. Natália apresentou uma estrutura de três pilares para ajudar qualquer gestor a identificar se sua empresa possui — ou está em risco de desenvolver — um ambiente psicossocialmente adoecedor:

1. Concepção do Trabalho

Como as tarefas e metas são definidas? Metas inatingíveis, prazos absurdos e ausência de autonomia são fatores de risco. A boa notícia: a empresa continua tendo seu poder diretivo. O que muda é como esse poder é exercido.

"A empresa, o empregador, continua com o mesmo poder diretivo. Mas como isso é feito é que a gente vai ter que ter um cuidado maior."

2. Organização do Trabalho

Ritmo, jornada, registro de ponto, sobrecarga. A palestrante trouxe um ponto que surpreendeu muita gente na sala: não é só o excesso que gera risco — o esvaziamento também.

"Sabe quando você tem um gerente que implica com um funcionário e começa a tirar a função dele? Isso vai eliminando a capacidade de equilíbrio daquele indivíduo. O esvaziamento da atividade do trabalhador é também um fator de risco psicossocial."

3. Gestão do Trabalho

Liderança, clareza de papéis, suporte e assédio. A Dra. Natália chamou atenção para um problema clássico nas empresas brasileiras: o gerente que não é gerente — aquele que tem o título, mas não tem poder de decisão, não admite nem demite ninguém.

"A gente tem um problema entre o que está escrito e o que de fato acontece. Isso tem um problema trabalhista do ponto de vista processual, mas a gente pode ter um problema também de risco psicossocial."

E Os Problemas Que o Funcionário Traz de Casa?

Essa é a dúvida que todo empresário tem, e ela apareceu com força no evento. A resposta da Dra. Natália foi tranquilizadora — mas veio com um recado importante:

"O Ministério do Trabalho já deixou claro que a avaliação é do ambiente de trabalho. O que ele está vivendo em casa, por óbvio, a empresa não vai acabar com isso. Mas, para isso, a gente vai precisar fazer essas políticas, esse plano de ação, que de fato consiga separar o que é da empresa e o que é de casa."

Ou seja: a empresa não paga a conta da vida pessoal do funcionário — mas precisa provar que seu ambiente de trabalho não é o causador do adoecimento. A Avaliação Ergonômica Preliminar é justamente o instrumento que faz essa separação.

O Que Fazer Agora? Os Passos Práticos

A parte mais aguardada da noite foi quando a Dra. Natália desceu do conceitual e foi para o prático. Segundo ela, toda empresa precisa, minimamente, de três elementos:

  1. 1. Inventário de riscos — uma Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) que identifique os perigos, avalie e caracterize as exposições do ambiente de trabalho.

  2. 2. Plano de ação — medidas de prevenção a serem produzidas, aprimoradas ou mantidas, com cronograma real e responsáveis definidos.

  3. 3. Ciclo contínuo de revisão — o modelo PDCA (Planejar → Executar → Checar → Agir), conforme recomendado pelo próprio Ministério do Trabalho.

"O que o auditor vai cobrar? Essa consistência técnica não é a burocracia do papel. Ele vai avaliar a ação genuína. Se a empresa aplicou um questionário validado, se acompanhou o plano de ação, se de fato está sendo cumprido o que a norma pede."

Um ponto reforçado com ênfase: todos os documentos, treinamentos e questionários precisam ser armazenados por 20 anos.

Questionários: Não Vale Qualquer Formulário

A palestrante alertou para um mercado já cheio de soluções rápidas e rasas — palestras avulsas, questionários genéricos e consultorias que entregam um documento e somem. Nada disso resolve.

"A palestra sozinha não vai resolver. Existem empresas vendendo soluções que não vão resolver. O que vai resolver é o processo contínuo, a metodologia correta e a escuta ativa do trabalhador."

Para que o questionário tenha validade técnica e sirva como prova de gestão em uma eventual fiscalização, ele precisa ser validado metodologicamente. Existem mais de 35 pontos que podem ser abordados, com padrões de validação internacional.

"Aplicar o questionário de forma isolada, sem escuta ativa, não serve como prova de gestão legal."

A Fiscalização — Quando Começa de Verdade?

As fiscalizações têm início formal em 26 de maio de 2025, mas a Dra. Natália deixou o clima mais leve nesse ponto — sem alarmar, mas sem iludir:

"Dia 26 de maio, ninguém vai receber uma multa. Existe o critério da dupla visita. Os primeiros 90 dias serão de adaptação. Na primeira visita, o auditor vai orientar."

Mas ela fez questão de reforçar: quem não fez absolutamente nada está vulnerável. Quando o auditor identifica um ponto de irregularidade, ele começa a olhar para todo o resto — e as multas se somam. O melhor momento para se organizar foi ontem; o segundo melhor momento é agora.

Checklist — O Que Sua Empresa Precisa Ter

Com base em tudo que foi apresentado, segue o mínimo que toda empresa deve ter:

  • - Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) atualizada com riscos psicossociais

  • - Inventário de riscos documentado

  • - Plano de ação com cronograma e responsáveis definidos

  • - Questionários validados metodologicamente aplicados aos colaboradores

  • - Canal de comunicação/denúncia com garantia de anonimato

  • - Certificados individuais de participação em treinamentos

  • - Política interna de metas, assédio e uso de comunicação digital

  • - Armazenamento de todos os documentos por 20 anos

A Mensagem Que Ficou

A Dra. Natália encerrou sua fala com uma reflexão que resumiu bem o espírito da noite — sem catastrofismo, mas sem ingenuidade:

"A norma não veio para criar um problema maior para as empresas. O que eu visualizo no longo prazo é a gente ter uma diminuição do adoecimento no trabalho. Olhem sem nenhuma venda nos olhos o que acontece de fato na minha empresa. Tenho verdadeiramente uma empresa que é boa de trabalhar?"

O evento foi gratuito, promovido pela Casa do Empresário como parte do compromisso de levar informação de qualidade ao empresariado local. Quem participou saiu diferente de como entrou — e isso, por si só, já vale muito.

Tags: #artigo #resumo #palestra
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